Resumen
El articulo propone establecer las diferentes etapas
en las cuales el urbanismo se manifestó, desde la
primera intervención práctica, que intentaba resolver
los problemas inmediatos de las ciudades, pasando
por el idealismo- científico, cuando el urbanismo
llegó a ser entendido como una forma de pensar la
ciudad, llegando finalmente al urbanismo como una
práctica política, alcanzando la dimensión de instrumento
institucional, tanto en la esfera de los gobiernos
como en el campo del activismo popular. La
conclusión aleja la llamada “crisis del urbanismo” de
finales del siglo XX, resaltando la consolidación urbano-
céntrica, y de un nuevo urbanismo que tiene por
finalidad el fenómeno urbano y no la ciudad.
Palabras-claves: Urbanismo, Historia del Urbanismo,
Urbanismo mundo, Urbanismo-Brasil, Crisis
del Urbanismo.
Disponível no link abaixo:
De La Intervención Práctica
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Artigos 2013 - Resiliência Participativa. Rumos para uma Urbanidade Neo-Republicana
RESUMO
O presente artigo busca demonstrar que, apesar das sucessivas críticas que vem recebendo,
desde a sua inutilidade até o seu uso contra a democracia, as iniciativas de participação
popular na gestão pública devem ser incentivadas. Para tanto, busca, a partir do arcabouço
teórico do neo-republicanismo, que retoma importantes valores como ética pública, virtude
cívica e participação cidadã, enumerar experiências que demonstram que o ideário de uma
democracia participativa, ao contrário de ser uma promessa distante, já está aqui, com seus
avanços e desafios. Por fim, busca, sob a ideia-força de “Urbanidade Neo-Republicana”,
congregar os argumentos postos em defesa das iniciativas de participação popular na gestão
urbana democrática.
PALAVRAS-CHAVE
Participação Popular; Democracia; Urbanidade; Neo-Republicanismo; Virtude Cívica.
Disponível no link abaixo:
Artigos 2013 - 25 Anos da Constitucionalização do Direito Urbanístico Brasileiro
Resumo
A intenção deste texto é mostrar a evolução do Direito Urbanístico no Brasil após 25 anos da sua inscrição constitucional, em 1988. O Direito Urbanístico Brasileiro, ao longo desse período, apresentou um franco processo de consolidação. Porém, acumulou também, desafios a sua implementação. O texto busca fazer algumas reflexões a partir de três desses desafios: a formação jurídica voltada para uma concepção privatista da propriedade imobiliária; a intra-feudalização da cidade a partir dos condomínios e outras formas de moradia exclusiva; e a fraca incorporação, por parte da população m geral, dos novos direitos urbanos decorrentes não só da CF/1988, mas principalmente da Lei Federal n.º 10.257/01 (Estatuto da Cidade). Enquanto no caso da formação dos operadores do Direito, temos um desafio de base mais tradicional, nos casos do processo de privatização e intra-feudalização das cidades e da falta de apropriação popular do Direito à Cidade, podemos falar em novos desafios que se colocam para a implementação do direito urbanístico brasileiro.
Palavras-Chaves: Direito Urbanístico Brasileiro; Estatuto da Cidade; Formação Jurídica; Privatização das Cidades; Direito à Cidade.
Disponível no link abaixo:
25 Anos de Direito Urbanístico Brasileiro
A intenção deste texto é mostrar a evolução do Direito Urbanístico no Brasil após 25 anos da sua inscrição constitucional, em 1988. O Direito Urbanístico Brasileiro, ao longo desse período, apresentou um franco processo de consolidação. Porém, acumulou também, desafios a sua implementação. O texto busca fazer algumas reflexões a partir de três desses desafios: a formação jurídica voltada para uma concepção privatista da propriedade imobiliária; a intra-feudalização da cidade a partir dos condomínios e outras formas de moradia exclusiva; e a fraca incorporação, por parte da população m geral, dos novos direitos urbanos decorrentes não só da CF/1988, mas principalmente da Lei Federal n.º 10.257/01 (Estatuto da Cidade). Enquanto no caso da formação dos operadores do Direito, temos um desafio de base mais tradicional, nos casos do processo de privatização e intra-feudalização das cidades e da falta de apropriação popular do Direito à Cidade, podemos falar em novos desafios que se colocam para a implementação do direito urbanístico brasileiro.
Palavras-Chaves: Direito Urbanístico Brasileiro; Estatuto da Cidade; Formação Jurídica; Privatização das Cidades; Direito à Cidade.
Disponível no link abaixo:
25 Anos de Direito Urbanístico Brasileiro
Artigos 2012 - A Necessária Institucionalização do Conselho Municipal de Salvador
RESUMO
Este artigo busca mostrar a importância do processo de institucionalização de instâncias de participação popular para o planejamento urbano da cidade. A participação tem sido apontada como importante fator de ampliação da eficiência do planejamento e da gestão urbana, sendo, no entanto, cada vez mais vista com ressalvas pelo baixo impacto modificativo que vem tendo sobre as práticas autocráticas que caracterizam a maioria das administrações municipais, principalmente das pequenas cidades. O artigo busca resgatar aspectos positivos da participação e encarar os principais desafios da sua implementação. Para isso, descreve alguns aspectos da experiência de implantação do Conselho Municipal de Salvador, destacando os motivos que tornam essa implantação importante e as condições necessárias para torná-la efetiva. Ao final, conclui abordando a necessária integração entre poder público e sociedade civil.
PALAVRAS-CHAVE: Conselho Municipal de Salvador; Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador; Participação Popular; Prefeitura de Salvador; e Planejamento Urbano.
Disponível no link abaixo:
PALAVRAS-CHAVE: Conselho Municipal de Salvador; Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador; Participação Popular; Prefeitura de Salvador; e Planejamento Urbano.
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
Desafios da cidade: que urbanismo? Palestra de Ana Fernandes (FAUFBA) no Café Científico.
Na última sexta-feira (05/07), na
Biblioteca Central, o Café Científico promoveu a palestra “Desafios da Cidade:
que urbanismo?”, concedida pela professora da FAUFBA, Ana Fernandes. Estive
presente e, como sempre, foi um prazer ouvir a professora, sempre
com sua postura crítica e muito bem fundamentada sobre a urbanização
contemporânea, principalmente em sua faceta mercadológica, tendo Salvador e
outras cidades brasileiras e mundiais como pano de fundo. Além da palestra e da
oportunidade de amplo debate que se estendeu por quatro rodadas de perguntas
(!!), foi bom também rever eternos mestres como Carlos Alberto Querino, colega
de Prefeitura, e Maria Palácios, professora do curso de urbanismo (curso que a
professora Fernandes, em sua palestra, fez questão de citar como uma exceção
valorosa – e corajosa – no panorama da formação dos profissionais que lidam com
urbanismo no Brasil) e também de voltar a participar do Café Científico, que
desde 2006 vem promovendo debates do mais alto nível em Salvador (Miguel
Nicolelis e David Harvey foram os mais inesquecíveis até agora), inclusive
tendo me inspirado a realizar um evento semelhante (discussão do livro
“Capitalismo de Laços”, de Sérgio Lazzarini) na mesma LDM Livraria Multicampi
da Piedade, que tantas vezes sediou o Café Científico. A publicação do video sobre esse debate inaugurou formalmente o outro blog que mantenho, dedicado a questão de economia, política e administração pública, temas tratados na minha dissertação de mestrado. Segue link:
http://neoestrategiasbrasil.blogspot.com.br/2011/03/video-debate-capitalismo-de-lacos.html
Tendo em vista o excelente conteúdo da palestra da profesora Ana Fernandes, resolvi colocar aqui neste meu blog sobre urbanismo e cultura, um resumo das minhas anotações, de modo a que outras pessoas tenham também acesso às inspiradas reflexões da professora Ana Fernandes. Destaque-se que isso não é uma transcrição ipse literis das palavras da professora Ana Fernandes, mas sim o que consegui captar da sua fala.
A professora Fernandes iniciou agradecendo o convite do Café Científico e dizendo que sua apresentação estava dividida em três partes: 1) Formação do Urbanismo enquanto prática política e campo de atuação profissional; 2) Urbanismo Contemporâneo; 3) Urbanismo Contemporâneo e Salvador.
Afirma que o urbanismo moderno nasce com a crise da cidade liberal do século XIX, tendo Paris como referência, citando então a famosa reforma urbana implementada pelo Barão Hausmann (1851-1870). Destaca que esse período ocorre exatamente entre a revolta parisiense em 1848 e a Comuna de Paris, em 1970.
Destaca que o que havia nesse urbanismo moderno era uma utopia de cidade, ilustrada por vários profissionais, cuja inspiração comum está nas ideias de Robert Owen (que influenciou inclusive as vilas operários de Luís Tarquínio, em Salvador – Ana Fernandes criticou duramente o abandono e a parte desse patrimônio urbanístico que eram as vilas operárias). Outra “utopia urbana” estava na Cidade-Jardim, ilustrada pelos trabalhos de Ebenezer Howard, Piotr Kropotkin e Henry George. Essa ideia de cidade-jardim deu origem inclusive a uma empresa chamada “Companhia City”, que criou alguns dos bairros paulista que tem “Jardim” no nome. Destaque-se, porém, que o movimento “Cidades-Jardins” chega no Brasil, através dessa companhia, totalmente desvinculado do contexto social em que o mesmo foi criado na Europa.
Outra importante influência no nascimento do urbanismo moderno foi a Sociedade Fabiana, organização que se preocupava com a ocupação do território urbano e com as questões sociais.
Por fim, a professora destaca ainda a importância dos reformistas urbanos, que afirmavam que a ação pública era fundamental como contraponto à cidade liberal.
A professora então descreve quais seriam os componentes da atual ordem urbanística:
A professora passa a enumerar então os princípios do urbanismo corporativo que opera dentro dessa ordem urbanística:
Segundo a professora, esse urbanismo contemporâneo pode ser também chamado de “urbanismo-bolha” e seus modelos urbanos replicáveis, de cidades-franquias (a exemplo de Alphaville, que vem sendo implantada em várias cidades, inclusive Salvador, seguindo os mesmos parâmetros).
Ao final da palestra, foi aberto o debate, no qual fiz as seguintes perguntas: 1) Tendo em vista que o urbanismo corporativo já tem os seus princípios, quais poderiam ser os contra-princípios que devem ser elaborados em uma proposta de urbanismo insurgente contra esse urbanismo contemporâneo? 2) Na fala da professora, foi colocado que as corporações atuam em paralelo e articuladas com o Estado, moldando a política pública de desenvolvimento urbano. Tendo em vista tanto a resposta à pergunta que fiz a Giuseppe Cocco no URBBA 12 (Estado: refém ou cúmplice das corporações?), que desmistificou essa dicotomia, quanto à fala de Paulo Fábio, no mesmo evento, alertando para a importância da sociedade política (instituições como partidos, congresso, etc) frente à exaltação desmedida da sociedade civil, o fato das manifestações que tem mobilizado o país (e, nisso, tem todos os méritos) terem negado qualquer vinculação com partidos políticos é um avanço em termos de criação de uma democracia participativa, considerando uma evolução linear a partir da superação da democracia representativa ou é um retrocesso em termos de aprimoramento da democracia representativa, considerando uma evolução multidimensional que deve buscar integrar em um todo maior os avanços limitados nas diversas dimensões democráticas (institucional sim, mas também cultural, econômica, social, racial, sexual, etc)? Os conselhos das cidades seria uma forma de mediar esses dois extremos, tendo em vista que ele foi o local escolhido pelo prefeito Fernando Haddad para negociar (e/ou legitimar?) a redução da passagem de ônibus?
Sobre a primeira pergunta, a professora Fernandes afirmou que, apesar de várias insurgências e críticas ao urbanismo contemporâneo, ainda é um exercício processual pensar em termos de contra-princípios ao urbanismo corporativo. Ainda assim, ela cita quais poderiam ser alguns desses contra-princípios: 1) Fim dos condomínios fechados; 2) Disputa do Fundo Público; 3) Ampliação do conhecimento dos projetos de intervenção urbana. Com relação à segunda pergunta, a professora ressaltou a importância das manifestações e afirmou que a reação negativa à presença de partidos foi uma resposta à atual imagem que a população brasileira tem dos partidos políticos, imagem essa decorrente das ações deletérias desses partidos, Porém, reconhece também a importância da instituição “partido político”, bem como outras instituições políticas que precisam ser preservadas, inclusive para garantir a própria democracia. Por fim, disse que, apesar da importância estratégica e simbólica do Conselho da Cidade, a existência desse não é uma garantia de que haverá maior democratização das decisões de governo, haja vista o esvaziamento da pauta decisória do Conselho Estadual das Cidades, que tem sido alijado da decisão acerca de intervenções públicas com grandes impactos urbanos.
http://neoestrategiasbrasil.blogspot.com.br/2011/03/video-debate-capitalismo-de-lacos.html
Tendo em vista o excelente conteúdo da palestra da profesora Ana Fernandes, resolvi colocar aqui neste meu blog sobre urbanismo e cultura, um resumo das minhas anotações, de modo a que outras pessoas tenham também acesso às inspiradas reflexões da professora Ana Fernandes. Destaque-se que isso não é uma transcrição ipse literis das palavras da professora Ana Fernandes, mas sim o que consegui captar da sua fala.
A professora Fernandes iniciou agradecendo o convite do Café Científico e dizendo que sua apresentação estava dividida em três partes: 1) Formação do Urbanismo enquanto prática política e campo de atuação profissional; 2) Urbanismo Contemporâneo; 3) Urbanismo Contemporâneo e Salvador.
1. Formação do Urbanismo enquanto
prática política e campo de atuação profissional
Demarca o início do urbanismo
moderno no século XIX, ressaltando o contexto político da época (conflitos na
França) e a sua interdisciplinaridade.Afirma que o urbanismo moderno nasce com a crise da cidade liberal do século XIX, tendo Paris como referência, citando então a famosa reforma urbana implementada pelo Barão Hausmann (1851-1870). Destaca que esse período ocorre exatamente entre a revolta parisiense em 1848 e a Comuna de Paris, em 1970.
Destaca que o que havia nesse urbanismo moderno era uma utopia de cidade, ilustrada por vários profissionais, cuja inspiração comum está nas ideias de Robert Owen (que influenciou inclusive as vilas operários de Luís Tarquínio, em Salvador – Ana Fernandes criticou duramente o abandono e a parte desse patrimônio urbanístico que eram as vilas operárias). Outra “utopia urbana” estava na Cidade-Jardim, ilustrada pelos trabalhos de Ebenezer Howard, Piotr Kropotkin e Henry George. Essa ideia de cidade-jardim deu origem inclusive a uma empresa chamada “Companhia City”, que criou alguns dos bairros paulista que tem “Jardim” no nome. Destaque-se, porém, que o movimento “Cidades-Jardins” chega no Brasil, através dessa companhia, totalmente desvinculado do contexto social em que o mesmo foi criado na Europa.
Outra importante influência no nascimento do urbanismo moderno foi a Sociedade Fabiana, organização que se preocupava com a ocupação do território urbano e com as questões sociais.
Por fim, a professora destaca ainda a importância dos reformistas urbanos, que afirmavam que a ação pública era fundamental como contraponto à cidade liberal.
2. Urbanismo Contemporâneo
A professora denomina o urbanismo
contemporâneo de “urbanismo corporativo”, prática hegemônica nas grandes
cidades brasileiras e mundiais. Ela resulta da junção do capital imobiliário,
do capital financeiro, do capital industrial e do capital midiático
(marketing). Destaca que a corporação trabalha de forma paralela e articulada
com o Poder Público. Essas corporações passam então a modelar a política
pública de desenvolvimento urbano. A professora então descreve quais seriam os componentes da atual ordem urbanística:
·
Planos e regras de uso e ocupação do solo;
·
Correlação e conflitos de interesses, forças e
poderes.
·
Critérios de ocupação e utilização dos espaços
urbanos, não só definidos nas regras formais, mas também aqueles considerados
na informalidade.
Assim, poderíamos dizer que a
ordem urbanística é constituída tanto pela lógica formal quanto pela lógica
informal, sem esquecer, no entanto, que essas lógicas estão em uma situação de
conflito de interesses mediado por regras de ocupação do uso do solo. A professora passa a enumerar então os princípios do urbanismo corporativo que opera dentro dessa ordem urbanística:
·
Inserção competitiva do território;
·
Escala de intervenção crescente;
·
Fragmentação, em relação ao restante da cidade;
·
A peça fundamental é o “Master Plan”;
·
Uso acentuado do fundo público;
·
Endividamento do setor público;
·
Papel decisório do setor privado;
·
Produção sequenciada de normas de regulação;
·
Uso de Parceria Público-Privada;
·
Especulação imobiliária;
·
Construção de enclaves urbanos;
·
Violação de direitos;
·
Devastação ambiental;
·
Obsolescência precoce do bem construído.
3. Urbanismo Contemporâneo e
Salvador.
A professora iniciou dando vários exemplos de
obras em Salvador que podem ser associadas a esse urbanismo corporativo:
·
Via Atlântica;
·
Reforma de Itapagipe;
·
Linha Viva;
·
Ponte Salvador-Itaparica;
·
Enclaves urbanos, como Le Parc e Horto Bela
Vista;
·
Multiplicação dos Planos Diretores (2004, 2008 e
2012).
Deu ainda exemplos da reprodução
desse modelo em outras cidades do Brasil, como São Roque, perto de São Paulo,
onde o empreendimento Catarina inclui campo de golfe e até um aeroporto
executivo; e do mundo, como Ordos, na China, onde imensas reservas de gás
fizeram o governo chinês construir uma cidade para um milhão de habitantes que
permanece, até hoje, praticamente sem moradores. Segundo a professora, esse urbanismo contemporâneo pode ser também chamado de “urbanismo-bolha” e seus modelos urbanos replicáveis, de cidades-franquias (a exemplo de Alphaville, que vem sendo implantada em várias cidades, inclusive Salvador, seguindo os mesmos parâmetros).
Ao final da palestra, foi aberto o debate, no qual fiz as seguintes perguntas: 1) Tendo em vista que o urbanismo corporativo já tem os seus princípios, quais poderiam ser os contra-princípios que devem ser elaborados em uma proposta de urbanismo insurgente contra esse urbanismo contemporâneo? 2) Na fala da professora, foi colocado que as corporações atuam em paralelo e articuladas com o Estado, moldando a política pública de desenvolvimento urbano. Tendo em vista tanto a resposta à pergunta que fiz a Giuseppe Cocco no URBBA 12 (Estado: refém ou cúmplice das corporações?), que desmistificou essa dicotomia, quanto à fala de Paulo Fábio, no mesmo evento, alertando para a importância da sociedade política (instituições como partidos, congresso, etc) frente à exaltação desmedida da sociedade civil, o fato das manifestações que tem mobilizado o país (e, nisso, tem todos os méritos) terem negado qualquer vinculação com partidos políticos é um avanço em termos de criação de uma democracia participativa, considerando uma evolução linear a partir da superação da democracia representativa ou é um retrocesso em termos de aprimoramento da democracia representativa, considerando uma evolução multidimensional que deve buscar integrar em um todo maior os avanços limitados nas diversas dimensões democráticas (institucional sim, mas também cultural, econômica, social, racial, sexual, etc)? Os conselhos das cidades seria uma forma de mediar esses dois extremos, tendo em vista que ele foi o local escolhido pelo prefeito Fernando Haddad para negociar (e/ou legitimar?) a redução da passagem de ônibus?
Sobre a primeira pergunta, a professora Fernandes afirmou que, apesar de várias insurgências e críticas ao urbanismo contemporâneo, ainda é um exercício processual pensar em termos de contra-princípios ao urbanismo corporativo. Ainda assim, ela cita quais poderiam ser alguns desses contra-princípios: 1) Fim dos condomínios fechados; 2) Disputa do Fundo Público; 3) Ampliação do conhecimento dos projetos de intervenção urbana. Com relação à segunda pergunta, a professora ressaltou a importância das manifestações e afirmou que a reação negativa à presença de partidos foi uma resposta à atual imagem que a população brasileira tem dos partidos políticos, imagem essa decorrente das ações deletérias desses partidos, Porém, reconhece também a importância da instituição “partido político”, bem como outras instituições políticas que precisam ser preservadas, inclusive para garantir a própria democracia. Por fim, disse que, apesar da importância estratégica e simbólica do Conselho da Cidade, a existência desse não é uma garantia de que haverá maior democratização das decisões de governo, haja vista o esvaziamento da pauta decisória do Conselho Estadual das Cidades, que tem sido alijado da decisão acerca de intervenções públicas com grandes impactos urbanos.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
"Primavera Brasileira": Revolução ou Romantismo?
Liberdade de Pensamento é um dos pilares da democracia,
certo? Pois vou exercer a minha. Garanto que 99,9% das pessoas que lerem isso
vão achar: a) ingenuidade; b) conservadorismo; c) pensamento pequeno-burguês;
d) visão globo-guiada; e) Todas as alternativas anteriores. Elogiar os
movimentos que tem acontecido, pelo que eles tem de bom, é pleonástico. Sempre
achei que Política se faz mais com atos que com votos e é claro que a redução
do aumento dos ônibus em várias capitais tem que ser comemorada como demonstração
inconteste da força das "vozes das ruas". Até aqui, ok. Porém, as
hipérboles que tem sido utilizadas para falar desse momento (inclusive pela
eternamente diabólica Globo) refletem um romantismo acrítico por, pelo menos,
três motivos óbvios: 1) o movimento "Diretas Já" e
"Caras-Pintadas" foram muito mais sigificativos, sejam pelas
circunstâncias - ditadura militar e profunda crise econômica - seja pela
grandeza das pautas - volta da democracia e derrubada de um presidente notoriamente
corrupto. Ele não inaugura nada, mas reafirma uma tradição que se achava talvez
esquecida, mas não morta; 2) 90% dos cartazes e faixas exibidos pelos
manifestantes são dignos de hashtags de twitter: “Abaixo a corrupção”; “Mais
Educação e Saúde”; “Menos desigualdades sociais”. Uma manifestação deve buscar
adesão a uma causa comum: quem é a favor da corrupção ou contra os recursos
para hospitais? Corruptos e corruptores! E eles não vão aderir a essa causa. Isso
não é pauta de negociação, é tema de redação da 8ª série! Ainda existem pautas
objetivas, conquistas reais que podem ser obtidas com pleno apoio popular, como
a rejeição da PEC 37 e a rejeição do Projeto da “Cura Gay”, que podem dar um
sentido claro e lideranças legítimas ao movimento. Ninguém vai acabar com o
analfabetismo ou elevar nosso IDH a padrões escandinavos da noite para o dia
(nem 1 milhão na Paulista ou 20 mil na Joana Angélica); 3) as manifestações não
reunem dois grupos (manifestantes paz e amor e vândalos), mas três: gente com
militância nas veias que sempre esteve, está e estará nas ruas, com plena
consciência política (minha estimativa otimista – 25%), gente com vandalismo
nas veias, que sempre esteve, está e estará procurando oportunidades de
confusão e/ou saques (minha estimativa pessimista – 5%); gente que não tem a
menor ideia do que esta fazendo ali, além de buscar um bom ângulo para a foto
do face ou um video digno de curtidas no youtube (minha estimativa - 70%). A
boa noticia é que alguns desses 70% podem de fato se agregar com os primeiros
25%. A má notícia é que com a consciência desses 25% vem também a
responsabilidade. Considerando que errar uma vez é humano, mas duas é burrice,
achar que convocar uma multidão para sair noite a dentro pelas ruas da cidades
seria simplesmente como convocar um coro para entoar, de mãos dadas, “Vem,
vamos embora...”, é lindo, mas totalmente fora da realidade desigual e
exploradora que os próprios 25% denunciam; mas continuar convocando tais
mobilizações, sem ao menos rever horários – manifestações só durante o dia - ou
procedimentos – proibição de mochilas que podem esconder coquetéis molotov e
outros brinquedinhos – é assumir – irresponsavelmente – a possibilidades dos
mesmos fatos ocorrerem sempre ao final de cada manifestação. Milhões em prejuízo
– que, em sua maioria, sairão do mesmo orçamento que não garante recursos para
a educação e saúde tão reclamados –; centenas de feridos – incluindo policiais
-; e dois mortos, duas vidas que se perderam no meio do caos – caos que nasce
da semente plantada pelos vândalos, sem dúvida; mas no terreno fértil do
esconderijo das multidões propiciado por manifestações que já tinham todas as
provas necessária de que, indubitavelmente, após os movimentos, a violência
eclodiria. Bom, esse é meu desabafo. Relutei em escrever, pois sabia que estava
nadando contra a corrente do endeusamento das vozes da rua, mas após o anúncio
da segunda morte, não consegui segurar. Minha esperança é que nos próximos dias
haja ou pautas objetivas ou revisão das formas de manifestação. Caso essa
revisão não impeça a violência, que se assumam os erros e suspendam-se as
manifestações para uma reflexão mais profunda de novas formas de luta. Para os
que entendem que vale a pena morrer e matar pela “causa”, seja ela qual for, e
que protesto “comportado” não é protesto, é covardia, bom, ai, guerra é guerra,
que venha Lei Marcial e Exército na Rua. Se isso aqui for Egito, é sinal de que
esses estavam certos e vão ganhar no final; se isso aqui for Síria, é sinal de
que a coisa vai piorar a cada dia e todos nós vamos perder. Tomara que isso
aqui seja, definitivamente, Brasil e que consigamos achar uma maneira
legitimamente democrática e popular de construir um país melhor.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Imersão Cultural 2013 - Discografia Legião Urbana Comentada - Disco 1 - "Legião Urbana" (1985)
Primeiro post aqui no blog resultante do projeto Imersão Cultural 2013. No campo da músíca, a idéia é percorrer uma discografia inteira de algum artista consistente, com uma produção temporal razoável, que permita avaliar a evolução do som (entenda-se letra, música, ambiência, mensagem, etc). Comecei a fazer o Caetano Veloso, mas o projeto ficou maior que eu, não só pela imensa discografia de Caê, mas também porque resolvi de cara fazer uma abordagem mais analítica, inclusive lendo, para isso, o "Verdade Tropical". Como disse, a coisa ganhou uma proporção que excedeu meus limites iniciais. Assim, resolvi fazer uma coisa mais intuitiva, ainda que depois retome com uma abordagem mais analítica (como a que pretendo fazer ao retornar ao projeto Caetano). Assim, pela facilidade de informações quanto a letras, compositores, músicos, processo de gravação dos albúns e, principamente, pela familiaridade e afinidade, acabei optando por fazer o Legião Urbana, até porque é uma obra acabada, diferente de Caetano, que continua produzindo. Outra influência forte para essa decisão foi assistir ao "Somos Tão Jovens", o que tornou o Legião a minha "obsessão do mês", indo atrás de todos os documetários possíveis sobre Legião Urbana, Renato Russo e Rock de Brasília. Ainda não conclui discografia, mas já vou colocando aqui os comentários totalmente audio-emotivos que fiz ouvindo faixa a faixa dos cinco primeiros albuns. Ao final, escolho a "Jóia da Coroa" (Hit preferido); o "Achado" (Música desconhecida - plo menos para mim - favorita); e a nota do disco, pensando basicamente no conjunto da obra:
1º DISCO – LEGIÃO URBANA (1985)
ACHADO – ALGUMAS MÚSICAS “NÃO-HITS” NÃO SÃO TOTALMENTE DESCONHECIDAS, PARA FALAR EM “ACHADO”. DAS TOTALMENTE DESCONHECIDAS, DIRIA “TEOREMA”, PELA GUITARRA E LETRA.
NOTA - COMO NÃO SEI EXATAMENTE O QUE ESPERAR DOS PRÓXIMOS, ALÉM DE UMA MONTANHA DE HITS, VOU DAR UM 8,0, CONSIDERANDO UM EXCELENTE ALBUM DE ESTRÉIA.
1º DISCO – LEGIÃO URBANA (1985)
- 1ª MÚSICA – “SERÁ” – HIT; AS LETRAS JÁ APARECEM COMO PONTO FORTE DA BANDA. VOCAL TAMBÉM IMPRESSIONA.
- 2ª MÚSICA – “A DANÇA” – TOTALMENTE TECNO-POP; BATERIA ELETRÔNICA; VOCAL MUITO LIMPO; BAIXO BEM PRONUCIADO. NÃO POR ACASO, O ARRANJO FOI DO BAIXISTA, O “LOUCO” RENATO ROCHA (LEMBROU “NEW ORDER”. IAN CURTIS E O JOY DIVISION SÃO GRANDES INFLUÊNCIAS DE RENATO. AINDA EXISTIA OU JÁ ERA O NEW ORDER?)
- 3ª MÚSICA – “PETRÓLEO DO FUTURO” – PEGADA BEM PUNK (A PRIMEIRA DO DISCO COM ESSA PEGADA, ESSA BATERIA ORGÂNICA “ACELERADINHA”)
- 4ª MÚSICA – “AINDA É CEDO” – HIT HISTÓRICO. A FAMOSA MÚSICA-RECONCILIAÇÃO PARA ANA, MOSTRADA NO FILME “SOMOS TÃO JOVENS” – LETRA IMPRESSIONANTE – AMOR OBSESSIVO/POSSESSIVO. TAMBÉM É ONDE SE ENCONTRAM OS FAMOSOS “BARULHINHOS” DO GRANDE GUITARRISTA MELÔDICO (COMO JOHNNY MARR, DO “THE SMITHS”) AINDA EM FORMAÇÃO DADO VILA-LOBOS.
- 5ª MÚSICA – “PERDIDOS NO ESPAÇO” – NADA A DIZER.
- 6ª MÚSICA – “GERAÇÃO COCA-COLA” – HIT HISTÓRICO. TOTALMENTE PUNK NA MÚSICA, LETRA E ATITUDE. SIMPLESMENTE MAGNÍFICA E ATEMPORAL.
- 7ª MÚSICA – “O REGGAE” – MOSTRANDO VERSATILIDADE, RENATO CANTA QUASE COMO UM RAGGAMUFFIN. LETRA DE PROTESTO MEIO OBVIA, MAS NEM POR ISSO RUIM. SURPRESA TAMBÉM COM O STEELDRUMS (REAL OU TECLADO?). ME LEMBRA “MARVIN” DOS TITÃS. QUEM PLAGIOU QUEM?
- 8ª MÚSICA – “BAADER-MEINHOF BLUES” – AS VOZES DOBRADAS CHAMAM ATENÇÃO AQUI, MAS APARECEM EM TODO O DISCO PRATICAMENTE, COMO UM ELEMENTO DE REFORÇO DA DRAMATICIDADE DO VOCAL. BOA LETRA, COMO QUASE SEMPRE. VIOLÃO ACUSTICO BEM PRONUNCIADO.
- 9ª MUSICA – “SOLDADOS” – ANDAMENTO LENTÍSSIMO DA BATERIA. PIANINHO DE APRENDIZ. VOCAL COM DRAMATICIDADE NO LIMITE MÁXIMO.
- 10ª MÚSICA - “TEOREMA” – LEVADINHA PUNK ACELERADINHA. O TIMBRE DA GUITARRA BEM “SMITHS” NO REFRÃO.
- 11ª MÚSICA – “POR ENQUANTO” – HIT ABSOLUTO. BATERIA ELETRÔNICA. TECLADOS PERMEANDO TUDO. LETRA ABSOLUTAMENTE PERFEITA. VOZ SUPER-DRAMÁTICA. AO LADO DE “GERAÇÃO COCA-COLA”, SÃO AS ÚNICAS ASSINADAS APENAS POR RENATO RUSSO. DEPOIS QUE A GENTE HOUVE A VERSÃO SUPER-FOLK DE CÁSSIA ELLER, NÃO DÁ PARA NÃO ACHAR OS TECLADOS EXCESSIVOS. MAS DÃO TOTALMENTE O CLIMA DE FIM DE ALBUM QUANDO VÃO SE PERDENDO EM FADE OUT.
ACHADO – ALGUMAS MÚSICAS “NÃO-HITS” NÃO SÃO TOTALMENTE DESCONHECIDAS, PARA FALAR EM “ACHADO”. DAS TOTALMENTE DESCONHECIDAS, DIRIA “TEOREMA”, PELA GUITARRA E LETRA.
NOTA - COMO NÃO SEI EXATAMENTE O QUE ESPERAR DOS PRÓXIMOS, ALÉM DE UMA MONTANHA DE HITS, VOU DAR UM 8,0, CONSIDERANDO UM EXCELENTE ALBUM DE ESTRÉIA.
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